Ondas de calor, suscetibilidade emocional, instabilidade hormonal e um indicativo de que se está envelhecendo e entrando em uma fase mais, digamos, madura. Historicamente, essas são as características associadas à menopausa. Historicamente, porque a realidade hoje em dia é outra.
As mulheres continuam ativas não só profissionalmente, mas em todas as esferas. Com o lado sexual não poderia ser diferente. Entrar no climatério, nome científico para essa fase da vida da mulher, já não significa mais "ficar velha” e deixar de ter uma vida sexual satisfatória.
Em termos mais simples, o climatério, que pode ocorrer dos 40 as 65 anos, marca a transição da fase reprodutora para a não reprodutora no corpo da mulher. "É apenas uma mudança, assim como a puberdade, que é o oposto: segue da vida não reprodutora para a reprodutora", explica Angela Fonseca, livre docente em Ginecologia e professora associada da Clínica Ginecológica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Durante a
menopausa, o corpo da mulher diminui radicalmente a produção do estrogênio, hormônio responsável pela capacidade reprodutora. Segundo a profª Angela, é um erro acreditar que a etapa muda a vida sexual e a libido. "A mulher que já estava bem sexualmente antes de entrar na menopausa, continua assim", pontua.
A razão de tanta confusão sobre haver menos desejo na menopausa se deve a um fato relativamente simples: com a diminuição dos hormônios, há uma menor lubrificação na vagina, e isso pode causar
dor no relacionamento sexual. "Se a mulher tiver a vagina muito seca, causa dor e impede a penetração. A dor inibe o desejo sexual, atrapalha e, com isso, a mulher fica com medo de ter relação e de acompanhar o parceiro", esclarece a especialista.
A boa notícia é que isso é sanável, se for feito um tratamento correto. O principal deles é a
terapia hormonal, que compensa os níveis de hormônio (naturalmente diminuídos durante essa fase) e aumenta o fluxo sanguíneo e a lubrificação na vagina. A terapia é feita combinando estrogênio e progestogênio, dois hormônios femininos. Para as mulheres que já retiraram o útero, é realizada apenas com estrogênio.
Na maioria das vezes, esses dois hormônios dão conta de restabelecer o equilíbrio no corpo da mulher e deixá-la com a lubrificação vaginal e outras funções do corpo normalizadas. Em alguns casos, porém, opta-se pelo tratamento também com testosterona – hormônio masculino produzido em doses pequenas no corpo da mulher ao longo da vida reprodutora – para aumentar a libido.
Mas atenção: não é recomendável adotá-lo nos tratamentos, a não ser que se perceba que os hormônios femininos não estão causando o efeito desejado ou que a mulher apresenta deficiência de testosterona. O que, aliás, é incomum: na menopausa, é frequente haver aumento dos níveis desse hormônio no corpo da mulher.
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